Cresci na Igreja católica, mas comecei a participar
da Juventude na Igreja luterana e a vida eclesial tornou-se uma parte
importante da minha vida, por isso, ainda na Faculdade de Química, decidi
estudar Teologia. Na Venezuela, não existia uma Faculdade reconhecida pela
Igreja. Como o estudo na Argentina era mais caro que no Brasil, as opções na
época, iniciei na EST em 1994 e terminei em 1999. Fiz o equivalente ao PPHM na
Venezuela até 2002, quando fui ordenado pelo Pastor Presidente da Igreja
Evangélica Luterana na Venezuela, P. João Willig, hoje Pastor Sinodal do Sínodo
Planalto Rio-grandense.
Que caminhos o fizeram retornar ao Brasil?
Estar casado com uma brasileira e as amizades
fizeram com que tivéssemos várias viagens ao Brasil. Também, em 2004, iniciei o
Mestrado Profissionalizante em Teologia na EST - Liturgia. Depois de nove anos
na mesma Comunidade, em família decidimos que o melhor seria ir para outro
país. O Brasil foi a escolha, pois poderia servir na Igreja luterana. Após
trabalhar na Paróquia de XV de Novembro/RS, assumi como Pastor na Cidade
Maravilhosa.
Na Paróquia Rio de Janeiro – Norte, quais são as
suas atividades?
São as tradicionais atividades no contexto da
IECLB, mas com os desafios que uma cidade como o Rio de Janeiro nos traz:
violência, demora nos traslados e sermos uma pequena Paróquia na multidão. Uma
coisa diferente é o Dia da Igreja, que busca reunir a cada ano os luteranos do
Estado. Além disso, nesta Paróquia pude ver como o desenvolver do trabalho
pastoral traz grandes consequências. Quando assumi, a Paróquia estava saindo de
uma crise que afastou muitas pessoas, entristeceu outras e desanimou a maioria.
Pouco a pouco, a notícia de que outro Pastor estava assumindo foi chegando aos
ouvidos dos membros. Alguns voltaram e outros continuam ‘olhando de longe’.
A Paróquia Rio de Janeiro – Norte é
auto-sustentável?
Uma Paróquia pequena (111 membros segundo os dados
de 2008) faz com que a autossustentabilidade seja uma pergunta constante. Com a
desmobilização, muitos deixaram de contribuir com a Igreja. Precisamos pensar
em soluções financeiras e uma delas foi pedir aos membros que tivessem
condições para aumentar o valor da contribuição, um trabalho conjunto entre
Presbíteros e Pastor. Hoje, a Paróquia está em melhor saúde financeira e sem
precisar da ajuda sinodal.
O que lhe dá satisfação no Pastorado?
Ainda que lidar com pessoas sempre foi e será
complicado, sou Pastor e continuarei sendo porque posso ver que, na lágrima
existe lugar para o abraço, nas brigas pelo poder ganha o serviço, na
discriminação a inclusão é vencedora, no mundo de múltiplas escolhas crianças
de berço são levadas ao Batismo e como os diferentes são iguais diante da Ceia
do Senhor! Ver o Evangelho sendo carne e a missão de Deus vivida neste mundo é
o melhor que me traz o Pastorado.
Entrevista ao Jorev Luterano, 06/2010 p. 6
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