13/10/2018

Credo para tempos difíceis


Creio que Deus criou todos os seres humanos a sua imagem e semelhança, por isso não posso sequer pensar que existam pessoas que eu possa desprezar ou humilhar. Não importa a sua cor de pele, seu gênero, sua orientação sexual ou sua posição social, todas as pessoas são objeto do amor divino e eu como sua criatura devo respeitar à vontade do Criador.
Creio que Jesus é Deus que se fez ser humano para trazer o amor divino ao mundo. Jesus nasceu pobre numa estrebaria e sua principal companhia foram pessoas acusadas de pecadoras e mau vistas pela sociedade da época. Suas palavras e suas ações levavam o amor e a justiça divina onde for que se encontrava. Por isso, algumas pessoas quiseram eliminá-lo. A justiça humana foi usada para torturá-lo e condená-lo. Jesus devia ter sido o último ser humano torturado, mas a dureza do coração humano fez com que até a Igreja fosse usada para torturar as pessoas amadas por Deus.
Creio que o Espírito Santo ilumina as pessoas para saírem da sua mesquinhez, do seu egoísmo e da sua visão estreita. O Espírito Santo por graça e fé transforma a mim e aos outros em melhores pessoas. Podendo assim, ouvir o chamado de Deus para servir de luz neste mundo de escuridão. Seguindo o exemplo de tantas pessoas que foram tocadas por Deus, levo amor onde existe ódio, acolhimento em meio à exclusão, consolo em meio ao sofrimento.
Creio no Deus da Vida, do Amor, da Inclusão e da Acolhida, o Deus a quem Jesus chamou de Papai e que muitas pessoas teimam em desfigurar.
Aqui estou e outra coisa não poderia fazer. Que Deus me ajude, Amém!

Imagem: Der Schwebende / Barlach-Engel de Ernst Barlach feito como memorial para lembrar dos caídos pela 1ª Guerra Mundial.

20/04/2016

E se um carioca tivesse escrito o Salmo 23

O Senhor é mermão, por isso nada me faltará.
Me leva à praia boa de areia e mar limpos.
Me dá água de coco para refrescar o calor de 40 graus,
Permite que veja o pôr do sol desde a Pedra do Arpoador.
Desde o Corcovado, Cristo com seus braços abertos me segue pela cidade.
E quando olho para ele, lembro que Deus está comigo.
Não erro o caminho, nem entro numa comunidade por engano.
No trânsito, perco somente a paciência e não a vida.
Ainda que esteja rodeado de bandidos, não temerei mal nenhum.
É meu guia em meio aos tiroteios, ninguém acha uma bala perdida.
Na roda de amigos, recebo um chope bem gelado,
canto músicas de Tom Jobim e de tantos outros mestres saudosos,
enquanto lembro que Deus é 0800,
sua bondade e sua misericórdia são de graça.

Ainda que não sendo carioca da gema,

P. José Kowalska

09/10/2013

Para que vamos à igreja?

“Ó Deus, eu falarei a respeito de ti aos meus irmãos e te louvarei na reunião do povo.” Hebreus 2.12
   O autor da carta aos Hebreus usa um versículo do Salmo 22 para falar da relação de Jesus com as pessoas. A categoria que ele indica é irmãos, pessoas relacionadas pelo mesmo pai. Mas, além dessa argumentação que traz a carta. É possível deduzir o que Jesus fazia em suas caminhadas pela Palestina: falar a respeito de Deus e louvar a Deus na reunião do povo. Podemos resumir dizendo que Jesus é um missionário, uma pessoa que anuncia a mensagem de Deus.

   Por um lado, Jesus não fica quieto. Não esconde o que ele quer fazer. Vemos como Jesus Cristo, uma e outra vez, fala às pessoas a Boa Nova do Reino de Deus. Ele procura alcançar a maior quantidade de pessoas. Muitas vezes, nós pensamos que Jesus andava somente com os 12 apóstolos. Como se fosse uma elite especializada que acompanhava Jesus. É certo que muitos textos narrados pelos evangelhos indicam Jesus acompanhado dos 12 ou até de alguns discípulos, mas, em muitas ocasiões o vemos rodeado por multidões.

   Por outro lado, Jesus participa da vida de culto. É levado ao templo por José e Maria. Depois procura a sinagoga para iniciar seu ministério, também lá cura pessoas. Vai celebrar a Páscoa em Jerusalém. Ele vai até o templo para reclamar do jeito como é utilizado.

   As palavras do salmista e as atitudes de Jesus Cristo são modelos para nós. O que fazemos? Muitas vezes, esperamos por especialistas que falem a repeito de Deus aos irmãos. Ficamos com vergonha de falar sobre Deus às pessoas. Preferimos falar de futebol ou novela em vez de convidar ao culto ou orar junto com conhecidos.

   No culto esperamos ser entretidos, procuramos por nossas necessidades, até “assistimos o culto”. Ultimamente, têm aparecido muitas charges nas redes sociais indicando e até de certa forma criticando a motivação das pessoas para irem ao culto. Cada qual vai com um interesse particular, com necessidades e vontades. Muitas vezes, esquecendo-se do porque temos culto.

   Neste mundo de especialistas e de consumistas é preciso lembrar e fazer nossa a oração: “Ó Deus, eu falarei a respeito de ti aos meus irmãos e te louvarei na reunião do povo”.
Meditação para o portal Luteranos 08/10/13