14/12/2012

Vida após...

No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês. O primeiro pergunta ao outro:
- Você acredita na vida após o nascimento?
- Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.
- Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa vida?
- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.
- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: A vida após o nascimento está excluída – o cordão umbilical é muito curto.
- Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.
- Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento. O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.
- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.
- Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela supostamente está?
- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria.
- Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que não existe nenhuma.
- Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando, ou sente como ela afaga nosso mundo. Saiba, eu penso que só então a vida real nos espera e agora apenas estamos nos preparando para ela…

Copie da Comunidade em Uberlândia

13/12/2012

Perto do Fim


   Outro fim de ano está aproximando-se, 2012 dará passo ao ano 2013. Não sei se é o acúmulo de festividades que criam o estresse ou se é o estresse das festas de fim de ano que cria as atividades. De qualquer jeito, o fim do ano civil está perto. Mas, o que faz de diferente o dia 31 do mês de dezembro de qualquer outro fim de mês? 
   Tudo fica igual, cada ano no calendário é igual ao outro, simplesmente adicionamos uma unidade na contagem dos anos. Também, podemos falar do fim de ano da Igreja que acontece cinco domingos antes do Natal. No ano da Igreja, as coisas trocam um pouco, no culto agora leremos mais o evangelho de Lucas, a IECLB trocará de lema e tema (e neste ano estreia um novo jeito, pois começamos a falar do tema já no primeiro domingo de Advento). Os anos vêm e também se vão. Parece que a roda do tempo não pára nunca.
   Sempre que entramos no umbral de uma passagem, nossos pensamentos voam longe e sonhamos muito. Estar perto do fim de um ano trás à memória tudo o que aconteceu neste período, sonhamos com novas metas para o ano que chega. Não importa se tudo o que projetamos para 2012 não se cumpriu, em 2013 tudo será diferente. Acreditamos imensamente que o futuro não será uma simples continuidade daquilo que vivemos ou sofremos, em 2013 será diferente.
   Não sei se você se deu conta, mas os filmes apocalípticos vendem muito bem. Destruição e sofrimento em grandes proporções é o que a gente quer ver. A expectativa pelo fim do calendário maia ainda está presente. Diversos cientistas já confirmaram que não é o fim do mundo, mas uma “virada de página” do sistema maia. Assim como nós fazemos com nossos calendários, que trocamos uma vez por ano, o fim do calendário de pedra indica que está na hora de pegar outra pedra, ou melhor, outra folha. Mas, ainda assim existe muita gente pregando que o fim acontecerá 21 de dezembro de 2012. Por que o fim do mundo mexe tanto conosco? Por que escutar que o fim está próximo estremece nossas entranhas? Estamos com medo porque devemos algo? O Apocalipse mostrado por João está cheio de imagens, que para nós dão mais medo que segurança. Mas, para as pessoas que leram aqueles textos pela primeira vez, traziam segurança como nenhum outro texto podia fazer.
   Nunca esqueço a imagem que uma vez usaram para explicar o que é fé: Um menino no alto de uma arvore não consegue mais descer, o pai aproximasse e vê o menino no alto. O pai pede ao menino para pular, e o menino, na certeza que o pai vai protegê-lo, pula. Será que a ideia do fim do mundo é tão assustadora que não conseguimos pular aos braços de nosso Deus?
   A chegada do fim do mundo deve ser como as flores que vi na janela de um casal amigo, quando notei sua presença eram só pequenos botões. Para mim, ainda faltava muito para virar uma bonita flor, mas a minha amiga disse com muita certeza: “amanhã teremos flores bonitas na janela”. E assim aconteceu, na manhã seguinte estavam lá, as flores totalmente desabrochadas e mostrando sua beleza. Agora, podemos temer ou achar que ainda não acontecerá, mas depois, ficaremos admirados diante da beleza recriada por Deus.
   Jesus está conosco, essa é a sua promessa: “E lembrem disto: eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos” (Mateus 28.20). Ele não nos abandona, não ficamos sozinhos. Os cristãos e cristãs deveriam de receber o fim do mundo com alegria, esperança e segurança. Não estamos jogados ao nada, Cristo está conosco. Eu gosto muito de cantar a música “Se as águas do mar da vida”, não somente em sepultamentos, mas em geral. Porque essa música me convida a segurar na mão de Deus em meio à minha vida. Não importa o que vai acontecer, Deus estende sua mão em minha direção e me ajuda a caminhar.

Publicado na capa do Jornal O Planalto do Sínodo Planalto Riograndense número 37