Outro fim de ano está aproximando-se, 2012 dará passo ao ano
2013. Não sei se é o acúmulo de festividades que criam o estresse ou se é o
estresse das festas de fim de ano que cria as atividades. De qualquer jeito, o fim do
ano civil está perto. Mas, o que faz de diferente o dia 31 do mês de dezembro
de qualquer outro fim de mês?
Tudo fica igual, cada ano no calendário é igual
ao outro, simplesmente adicionamos uma unidade na contagem dos anos. Também,
podemos falar do fim de ano da Igreja que acontece cinco domingos antes do
Natal. No ano da Igreja, as coisas trocam um pouco, no culto agora leremos mais
o evangelho de Lucas, a IECLB trocará de lema e tema (e neste ano estreia um
novo jeito, pois começamos a falar do tema já no primeiro domingo de Advento).
Os anos vêm e também se vão. Parece que a roda do tempo não pára nunca.
Sempre que entramos no umbral de uma passagem, nossos
pensamentos voam longe e sonhamos muito. Estar perto do fim de um ano trás à
memória tudo o que aconteceu neste período, sonhamos com novas metas para o ano
que chega. Não importa se tudo o que projetamos para 2012 não se cumpriu, em
2013 tudo será diferente. Acreditamos imensamente que o futuro não será uma
simples continuidade daquilo que vivemos ou sofremos, em 2013 será diferente.
Não sei se você se deu conta, mas os filmes apocalípticos
vendem muito bem. Destruição e sofrimento em grandes proporções é o que a
gente quer ver. A expectativa pelo fim do calendário maia ainda está presente.
Diversos cientistas já confirmaram que não é o fim do mundo, mas uma “virada de
página” do sistema maia. Assim como nós fazemos com nossos calendários, que
trocamos uma vez por ano, o fim do calendário de pedra indica que está na hora
de pegar outra pedra, ou melhor, outra folha. Mas, ainda assim existe muita
gente pregando que o fim acontecerá 21 de dezembro de 2012. Por que o fim do
mundo mexe tanto conosco? Por que escutar que o fim está próximo estremece
nossas entranhas? Estamos com medo porque devemos algo? O Apocalipse mostrado
por João está cheio de imagens, que para nós dão mais medo que segurança. Mas,
para as pessoas que leram aqueles textos pela primeira vez, traziam segurança
como nenhum outro texto podia fazer.
Nunca esqueço a imagem que uma vez usaram para explicar o
que é fé: Um menino no alto de uma arvore não consegue mais descer, o pai
aproximasse e vê o menino no alto. O pai pede ao menino para pular, e o menino,
na certeza que o pai vai protegê-lo, pula. Será que a ideia do fim do mundo é
tão assustadora que não conseguimos pular aos braços de nosso Deus?
A chegada do fim do mundo deve ser como as flores que vi na
janela de um casal amigo, quando notei sua presença eram só pequenos botões.
Para mim, ainda faltava muito para virar uma bonita flor, mas a minha amiga
disse com muita certeza: “amanhã teremos flores bonitas na janela”. E assim
aconteceu, na manhã seguinte estavam lá, as flores totalmente desabrochadas e
mostrando sua beleza. Agora, podemos temer ou achar que ainda não acontecerá,
mas depois, ficaremos admirados diante da beleza recriada por Deus.
Jesus está conosco, essa é a sua promessa: “E lembrem disto:
eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos” (Mateus 28.20). Ele não
nos abandona, não ficamos sozinhos. Os cristãos e cristãs deveriam de receber o
fim do mundo com alegria, esperança e segurança. Não estamos jogados ao nada,
Cristo está conosco. Eu gosto muito de cantar a música “Se as águas do mar da
vida”, não somente em sepultamentos, mas em geral. Porque essa música me
convida a segurar na mão de Deus em meio à minha vida. Não importa o que vai acontecer, Deus estende sua mão em minha direção e me ajuda a caminhar.
Publicado na capa do Jornal O Planalto do Sínodo Planalto Riograndense número 37
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