Se vocês obedecerem aos mandamentos do SENHOR, nosso Deus,
que hoje eu estou dando a vocês, e o amarem, e andarem no caminho que
ele mostra, e cumprirem todas as suas leis e todos os seus mandamentos,
vocês viverão muito tempo na terra que vão invadir e que vai ser de
vocês. E Deus os abençoará e lhes dará muitos descendentes. Deuteronômio 30.16
Na preparação do Ensino Confirmatório deparei-me com um material sem
indicação de autor que era usado na Paróquia de Passo Fundo. O livro do
segundo ano continha a explicação dos dez mandamentos. Para minha
surpresa, os mandamentos somente eram comentados de forma negativa. Os
exemplos eram de coisas proibidas, não permitidas ou ruins. Quem fez
aqueles textos esqueceu que Lutero tinha justamente colocado no
Catecismo Menor os dois lados, o que não é para fazer e o que deve ser
feito.
Naquele material de Ensino Confirmatório (que não continuei usando) e
nas conversas com as pessoas, muitas vezes, eu me enfrento com uma visão
de Deus como juiz implacável e severo, como a imagem que acompanha a
meditação. Parece que aquelas pessoas não olharam a cena do filme de
Lutero, onde ele se debate para tentar encontrar a forma de agradar a
Deus. Lutero faz tudo o que precisa, segundo as leis eclesiais da época,
e ainda faz um pouco mais do que precisa. Mas, mesmo assim, não
consegue encontrar tranquilidade. Deus está ali para castigar e punir, a
lei divina somente existe para mostrar nossos defeitos e pecados.
Assim, pensavam as pessoas daquela época e muitas hoje em dia.
Surpreendentemente o texto de Deuteronômio que encabeça esta meditação
mostra um Deus diferente, que faz um uso “bonito” da lei. Se as pessoas
seguirem a lei e os mandamentos, ganharão vida, benção e descendência.
Isto me lembra de um pequeno menino, o Adrian, que sempre queria enfiar
seus dedos nas tomadas, a gente tinha que evitar que ele enfiasse os
pequenos dedos e levasse choque. A lei estava ali para ele evitar um
dano, que poderia ser grande. A lei de “não enfiar o dedo na tomada”,
tinha por objetivo preservar sua vida. Sempre era assim, ele querendo
enfiar o dedo e os demais evitando e colocando limites, até que um dia
ele conseguiu. Por sorte, o choque não foi tão grande, mas fê-lo chorar
muito. Daquele dia em diante, Adrian aprendeu que a lei está ali para
evitar os perigos, para fazê-lo viver melhor.
Ainda que muitas leis humanas possam ser injustas e imperfeitas, as
leis divinas procuram uma justiça que vai além do entendimento humano.
Para conferir isso, podemos ver os inúmeros exemplos onde Jesus coloca
de cabeça o pensamento humano e sua justiça. Como seria o mundo se nós
pudéssemos cumprir a totalidade dos mandamentos? Como seria a
convivência humana se a explicação de Lutero dos mandamentos fosse
seguida? Nosso mundo não seria bonito e melhor? Imaginem essa realidade,
um pedacinho do Reino de Deus.
Meditação para o Portal do Sínodo Planalto Rio-Grandese 15/07/2012
