10/11/2011

Damos graças ao Senhor, eterna é a sua misericórdia


O Senhor fez grandes coisas por nós, e por isso que estamos alegres. Salmo 126.3
Este é um momento interessante para mim, pois posso fazer uma contagem dos fatos acontecidos desde que cheguei a este cidade maravilhosa. Eu pessoa relativamente jovem, acostumado com a cidade grande, vim morar no Rio. Muitas coisas surgiram na mente ao ser designado para trabalhar aqui. Imediatamente vieram à minha mente de estrangeiro todos aqueles cartões postais que andam mundo afora. O Cristo no corcovado, o Pão de Açúcar, as praias de Ipanema e Copacabana, o sambódromo. A vontade era grande para conhecer tudo isso! Chegando aqui começo a ser inundado por outros cartões que muitas pessoas não conhecem: a violência, os tiroteios (com as balas achadas por alguém inocente), o problema do trânsito, o medo de andar na rua.
Depois de um tempo, fiquei pensando: esta cidade tem alguma coisa que não é tão ruim. Porque em meio à violência as pessoas ainda querem continuar morando aqui. Aí eu começo a descobrir que as pessoas têm esperança, para umas essa esperança tem nome, para outras não. É Deus que permite continuar a existir em meio de todo esse caos e mundo hostil. Descubro como em meio as maiores dificuldades os vizinhos são solidários, as pessoas se une para reclamar o que não está certo, oram para que Deus ajude quem passa por problemas. É a ação de Deus na cidade maravilhosa.
Deus que criou tudo o que existe porque quis partilhar a sua vida e seu amor. Ele foi generoso, mão aberta. Distribuiu o seu dom da vida e criou esse mundo belo para vivermos nele.
Agora diante dessa generosidade, como justificamos nossa avareza, nossa ganância? É por isso que estamos reunidos aqui para festejar e agradecer a Deus por tudo aquilo que nos dá, por permitir-nos viver nesta cidade maravilhosa e termos a certeza de que a morte não tem a última palavra. É poder reconhecer que somos irmãos e irmãs do mesmo Deus e que por isso agora estamos juntos, pessoas de diversas denominações, mas unidos por Deus. Celebramos que o CONIC-RJ tem uma nova diretoria que quer ir além do ecumenismo orante, quer um ecumenismo que saia das celebrações e possa ser parte real da vida desta cidade. Temos tantas coisas pelas quais agradecer, a lista não teria fim.
Mas podemos resumir tudo, nesta frase: Damos graças ao Senhor, eterna é a sua misericórdia.
Palavras no Dia de Ação de Graças em novembro 2009

14/10/2011

Carta resposta: uso do dinheiro


A seguir carta resposta ao Sr. Anselmo sobre sua correspondência:
 
   O texto a seguir é uma posição dentro da perspectiva da IECLB, igreja luterana. Não é a posição oficial, temos discutido e conversado esta temática em diversas instâncias. Mas, dentro do meu conhecimento não existe uma postura oficial da IECLB diante do tema.
   Você tem uma postura crítica diante de uma realidade que afeta à Igreja faz muito tempo. A idéia de vender os “bens religiosos” não é novidade, em diversas épocas as pessoas queriam encontrar gente que acreditasse na possibilidade de vender a salvação ou o segredo de chegar à vida eterna.
   Nas suas colocações, você ilustra muito bem o que nos círculos teológicos é chamada de Teologia da Prosperidade. Nela encontramos um Deus que negocia com as pessoas. Na realidade, a lógica do mercado entrou na igreja-instituição, por isso, como você bem colocou, a igreja vende o evangelho que é negociado com o “toma lá, dá cá”. Abrir uma igreja-instituição para muitos é abrir uma franquia de um negócio muito bom, pois tem isenções e imunidades tributárias que nenhuma outra instituição tem no Brasil. Dentro da lógica da Teologia da Prosperidade, como você muito bem coloca, as bênçãos de Deus são medidas segundo o sucesso econômico de uma pessoa. Por isso, diante de sua pergunta pela ajuda a pessoas necessitadas, somente posso indicar que a falta de sucesso financeiro indica falta de fé, e é contra o que pregam essas igrejas. Por que ajudar alguém que Deus “não quer”? Se não recebe os benefícios é porque Deus não o quer abençoar. O que resta fazer nesta visão teológica é orar para que Deus possa ajudar o fiel a ter mais fé e melhorar na vida. Não existe nenhuma crítica à realidade excludente, que impossibilita a muitos a possibilidade de melhorar de vida por estudo e/ou mérito no trabalho. O dinheiro arrecadado vai para quem partilha do conhecimento ao acesso das bênçãos. O dinheiro não tem porque ser partilhado entre os necessitados, o pastor é o receptor do dinheiro, pois ele já foi abençoado por Deus. Eles, como você indica, precisam procurar seus próprios interesses e assim cada um dos fieis. Nesta teologia, não existe espaço para preocupar-se e ocupar-se com o próximo. Cada indivíduo faz a negociação diretamente com Deus e cada um se vira. É a lógica do mercado aplicada diretamente  no mundo religioso, onde os fracos são enxotados e os forte recebem as bênçãos monetárias.
   Por outro lado, a Teologia da Cruz quer mostrar Deus que se aproxima do necessitado. Essa teologia é a que marca a igreja luterana e passo a indicar algumas pontes com o texto de você:
   Se bem é certo que precisamos de dinheiro para manter a igreja-instituição, na realidade o fim e missão da IECLB é propagar o Evangelho de Jesus Cristo; estimular a vivência evangélica pessoal, familiar e comunitária; promover a paz, a justiça e o amor na sociedade e participar do testemunho do Evangelho no País e no mundo. Nesse sentido, em diversas comunidades existem grupos de pessoas que se ocupam com a diaconia (serviço) dentro e fora das paredes do templo. Assim são ajudadas pessoas em necessidade como, por exemplo, cestas básicas ou cursos de capacitação. A IECLB, através de suas Comunidades e membros, se faz presente, por exemplo, nos lugares afetados pela tragédia da região serrana do Rio de Janeiro, levando num primeiro momento água, comida, voluntários, mas também agora ajudando a que as pessoas possam ter uma moradia digna. A lógica na IECLB não é somente ajudar no momento, ao contrário é seguir o ditado “não dar o peixe, mas ensinar a pescar”.
   No geral, a IECLB utiliza o conceito de “gratidão, fé e compromisso” quando fala em contribuição dos membros. O dinheiro é visto como uma forma, entre várias outras, de demonstrar a gratidão por tudo que Deus dá. Esse dinheiro é utilizado para sustentar a igreja-instituição local, regional e nacional e seus planos de propagar o Evangelho não somente com palavras, mas também com ações. Muitos membros ajudam não somente dentro das comunidades, mas também aos seus vizinhos e pessoas em necessidades. Aqui não temos uma venda, troca ou negociata, os membros agradecem tudo o que Deus já lhes tem dado. Em muitas comunidades, temos o culto anual de Ação de Graças ou Culto da Colheita. Onde se olha tudo o que Deus tem dado e por isso se agradece. É justo o contrário daquela lógica do peço para que me dêem. Pois tudo o que temos e somos é graças a Deus.
   Em muitos casos membros de comunidades luteranas se afastam quando tem problemas financeiros ou doenças. Lamentavelmente, a lógica do mercado tem influenciado eles e os ministros procuram ajudá-los a ver que a Igreja está ali também em momentos difíceis. Em geral, se um membro encontra-se em necessidade nos colocamos em oração e ação para ajudar, dentro das possibilidades da comunidade, para que a situação seja superada. Assim, parte das cestas básicas repartidas podem ser destinadas a membros, também são ajudados nos custos por doenças ou procuram-se vias de aliviar a situação. Em casos de desastres naturais como enchentes ou secas, a igreja destina verbas para ajudar na superação da calamidade. Cada comunidade olhando seu contexto encontra formas de ação diaconal que se for necessário inclua os seus próprios membros. Nem sempre é possível ajudar de forma plena, mas as ações visam fazê-lo do melhor jeito possível.
   Dentro do pensamento de poder ajudar, você lembra o texto de Gálatas 6.10 e ele é base da Obra Gustavo Adolfo que é uma organização da IECLB que ajuda comunidades nas suas necessidades seja de construção de templos e outras edificações ou ajudas em casos de desastres naturais.
   Você lembra o texto de Mateus 25.35-40 onde no juízo final as pessoas serão divididas, é interessante ver que as pessoas sempre perguntam “quando foi que o fizemos?” As pessoas agiram sem saber a quem o estavam fazendo. A lógica de Jesus vai além do dá-me que te dou. Pela graça de Deus nos acreditamos e pela mesma graça é que vivemos e obramos sem esperar nada em troca. Somos chamados a ser instrumentos de Deus ali onde estivermos, somos chamados à nossa vocação no dia-a-dia.
   O cristianismo é diferente do sucesso econômico. As bênçãos de Deus vão além da bênção financeira. Nosso contexto de pobreza faz com que pensemos que sucesso é dinheiro e não integridade ou dignidade. Conheço gente “pobre” muito bem “sucedida” e alegre pela sua família, pois criou homens e mulheres com princípios e valores cristãos que não se deixam corromper para crescer à custa dos outros. Se bem é certo que o amor de Deus inclui o material assim como oramos pelo “pão nosso de cada dia”, não é somente o material que é amor. Isso, o descreve Martim Lutero na sua explicação do Pai Nosso:
“O que significa pão de cada dia? Tudo que se refere ao sustento e às necessidades da vida, como por exemplo: comida, bebida, roupa, calçado, casa, lar, meio de vida, dinheiro e bens, marido e esposa íntegros, filhos íntegros, empregados íntegros, patrões íntegros e fiéis, bom governo, bom tempo, paz, saúde, disciplina, honra, amigos leais, bons vizinhos e coisas semelhantes.”
   Eu, humildemente, observando sua posição crítica à teologia da prosperidade lhe recomendaria procurar uma igreja onde essa teologia não seja aplicada.
Carta enviada por e-mail 16/04/2011

Luteranismo em clave positiva


“Há um só Senhor, uma só fé e um só batismo.” Efésios 4.5
Quando aprendi a teoria musical descobri que existiam diversas formas de escrever música. Diversos instrumentos usavam as partituras de forma diferenciada. A nota colocada em certo lugar era diferente segundo a clave que estava no início. Assim, existe clave de fá, de sol ou dó. Do mesmo jeito existem diversas formas de descrever o que significar ser luterano ou luterana. Tudo depende da “clave” ao início do pentagrama da explicação.
Ultimamente tenho me sentido cada vez mais pressionado a reconhecer como nós, luteranos e luteranas, geralmente nos identificamos a partir de conceitos negativos. Nós somos diferentes dos católicos nisto e naquilo; dos pentecostais disto; da IELB por isto. Parecemos adolescentes tentando criar a sua imagem e personalidade a partir da rejeição dos modelos que pai e mãe colocaram na nossa infância. Para dizer a verdade, estou cansado disso. Acredito que, como luteranos e luteranas da IECLB, podemos ir além. Convido a que sejamos como os jovens adultos que procuram ser quem são afirmando e não negando. Para isso, eu vou dar o ponta pé inicial:
  •  Somos comunidades, existe uma forte relação entre as pessoas que participam de nossa instituição. Não são simples números nem permanecem no anonimato da metrópole. Os João e as Maria tem nome desde o Batismo e fazem parte importante da vida comunitária.
  • Sabemos que todas as pessoas batizadas fazem parte do sacerdócio geral de todos os crentes. Sem intermediamos nos aproximamos a Deus. As pessoas tem funções diferentes, mas todas podem ter a certeza da proximidade de Deus sem limitações ou barreiras.
  • Homens e mulheres tem direitos e deveres iguais na Igreja, e devem ter também as mesmas oportunidades de serviço e liderança.
  • O acesso à Santa Ceia é permitido a todas as pessoas batizadas. Até é aberta para aqueles que tem problemas com o álcool e por isso algumas comunidades celebram com suco de uva ou vinho sem álcool.
  • Prezamos pela diaconia. O amor de Deus também é demonstrado através do trabalho diaconal institucionalizado ou não de nossas comunidades e organizações relacionadas.
  • Procuramos pela capacitação de nossas lideranças, sejam elas leigas ou ministeriais. Cuidamos que os ministros e ministras tenham um bom nível de estudo. Criamos materiais e formas que as pessoas que lideram os grupos e instâncias na IECLB possam ser capacitadas.
  •  As pessoas colocam a disposição aquilo que Deus deu para elas por gratidão. Tudo o que temos e somos é de Deus e por isso colocamos nossos dons, nosso tempo e dinheiro ao serviço das Comunidades.
  • Pregamos que a salvação é gratuita. Neste mundo onde tudo é comprado e vendido, lembramos que Deus entregou seu Filho para que nós recebêssemos o presente da salvação e vida eterna. Lembramos também que Deus vem ao nosso encontro na criação (Pai), na redenção (Filho) e na santificação (Espírito Santo).
Com certeza você desde seu contexto local pode ajudar a fazer essa lista maior, com exemplos práticos daquilo que acontece perto de você. Peço que faça o exercício, pense um pouco e continue lendo o luteranismo em clave positiva.
Meditação para o portal do Sínodo Sudeste 10/10/2011

O Evangelho e a Missão de Deus vivida neste mundo

Como foi o seu início no Pastorado?
Cresci na Igreja católica, mas comecei a participar da Juventude na Igreja luterana e a vida eclesial tornou-se uma parte importante da minha vida, por isso, ainda na Faculdade de Química, decidi estudar Teologia. Na Venezuela, não existia uma Faculdade reconhecida pela Igreja. Como o estudo na Argentina era mais caro que no Brasil, as opções na época, iniciei na EST em 1994 e terminei em 1999. Fiz o equivalente ao PPHM na Venezuela até 2002, quando fui ordenado pelo Pastor Presidente da Igreja Evangélica Luterana na Venezuela, P. João Willig, hoje Pastor Sinodal do Sínodo Planalto Rio-grandense.
Que caminhos o fizeram retornar ao Brasil?
Estar casado com uma brasileira e as amizades fizeram com que tivéssemos várias viagens ao Brasil. Também, em 2004, iniciei o Mestrado Profissionalizante em Teologia na EST - Liturgia. Depois de nove anos na mesma Comunidade, em família decidimos que o melhor seria ir para outro país. O Brasil foi a escolha, pois poderia servir na Igreja luterana. Após trabalhar na Paróquia de XV de Novembro/RS, assumi como Pastor na Cidade Maravilhosa.
Na Paróquia Rio de Janeiro – Norte, quais são as suas atividades?
São as tradicionais atividades no contexto da IECLB, mas com os desafios que uma cidade como o Rio de Janeiro nos traz: violência, demora nos traslados e sermos uma pequena Paróquia na multidão. Uma coisa diferente é o Dia da Igreja, que busca reunir a cada ano os luteranos do Estado. Além disso, nesta Paróquia pude ver como o desenvolver do trabalho pastoral traz grandes consequências. Quando assumi, a Paróquia estava saindo de uma crise que afastou muitas pessoas, entristeceu outras e desanimou a maioria. Pouco a pouco, a notícia de que outro Pastor estava assumindo foi chegando aos ouvidos dos membros. Alguns voltaram e outros continuam ‘olhando de longe’.
A Paróquia Rio de Janeiro – Norte é auto-sustentável?
Uma Paróquia pequena (111 membros segundo os dados de 2008) faz com que a autossustentabilidade seja uma pergunta constante. Com a desmobilização, muitos deixaram de contribuir com a Igreja. Precisamos pensar em soluções financeiras e uma delas foi pedir aos membros que tivessem condições para aumentar o valor da contribuição, um trabalho conjunto entre Presbíteros e Pastor. Hoje, a Paróquia está em melhor saúde financeira e sem precisar da ajuda sinodal.
O que lhe dá satisfação no Pastorado?
Ainda que lidar com pessoas sempre foi e será complicado, sou Pastor e continuarei sendo porque posso ver que, na lágrima existe lugar para o abraço, nas brigas pelo poder ganha o serviço, na discriminação a inclusão é vencedora, no mundo de múltiplas escolhas crianças de berço são levadas ao Batismo e como os diferentes são iguais diante da Ceia do Senhor! Ver o Evangelho sendo carne e a missão de Deus vivida neste mundo é o melhor que me traz o Pastorado.
Entrevista ao Jorev Luterano, 06/2010 p. 6

O fim do início ou o início do fim


Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. Apocalipse 22.13 
Como falar de “principio e fim” sem lembrar de que, como muita gente argumenta, em 21 de dezembro 2012, o calendário maia termina? Cada vez estão mais perto os “finais” do mundo. Se no início passavam-se séculos entre um “fim” e o outro, agora com a velocidade em que vivemos os finais estão mais perto. O “fim” estava perto quando o Império Romano ruiu; na virada do ano 1000; na sombra de morte que trouxe a plaga na Europa; até no Y2K no início deste século. Também podemos contar os inúmeros visionários que indicaram aos seus seguidores que o mundo assim como o conhecemos tinha uma data marcada por eles no calendário.
Agora somos confrontados com o fim do mundo pelos filmes de Hollywood com tecnologia de ponta, assim como o povo era assustado com as peças teatrais sobre o inferno e o purgatório. Filmes apocalípticos, sempre dão medo, e mais do jeito em que Hollywood os produz. Sendo cada lançamento uma lembrança de que o final será desastroso y muito perigoso para a maioria da humanidade, mas que no fim sempre fica um grupo ou um casal para reiniciar uma nova humanidade. Os filmes sempre nos lembram de nossa finitude.
Nós acreditamos numa visão do tempo de forma linear, o ano 2011 vai dar passo ao 2012, assim o fez o 2010 com o 2011. Mas, vemos o calendário de forma é circular. Quando as folhas de um ano terminam e começa um novo, cremos que tudo volta a ter sentido, a ser refeito. No revellion, a magia acontece e, como se a gente apertasse o botão reset do computador, nossa vida fica nova em folha. Mas, devo contar a vocês que o mundo não anda de forma linear nem circular. O tempo, com seus dias e anos, é um espiral, pois cada ano que passa, nós não voltamos ao ponto zero. Quando iniciar o 2012, não seremos aquele ser que entrou em 2011. Teremos trocado, querendo ou sem querer, cumprindo ou não aquela longa lista de desejos a serem cumpridos. A vida passou por nós e nós passamos por ela. As relações trocaram, aconteceu muita coisa nesses 365 dias de 2011. Não dá para negar isso. Ainda que os nomes e os números dos dias e meses sejam, em teoria, os mesmos, eles estão recheados de forma diferente.
Tenho escutado de muitas pessoas que passaram por um grave acidente, venceram uma forte doença ou lutaram contra uma adição que depois daquilo, elas vêem o tempo de jeito diferente. Não trocou o quantidade, mas a qualidade. O importante é como se usa o tempo extra recebido. O espiral do calendário eleva-se a níveis insuspeitáveis, a forma de viver é totalmente outra. Deus está presente em suas vidas, não como um adicional que pode ser excluído. Deus é parte importante e principal da equação. Aqui podemos usar a simbologia do versículo 13 do capítulo 22 do Apocalipse, usar o alfabeto para mostrar uma imagem. Alfa é primeira letra e ômega a última. Como se nós hoje falássemos de “a” a “z”. Usando a redundância, queremos incluir a plenitude do tudo. Absolutamente tudo esta dentro daquela idéia, não sobra nada.
Contamos com Deus em todos os momentos de nossa vida, desde o momento de nossa concepção até o ultimo suspiro. Agradecemos as bênçãos que ele nos permite receber e suplicamos quando as incertezas nos atacam. Então, qual o problema de contar também com ele no fim? Ainda que o mundo se termine podemos ter a certeza de que Deus estará ao nosso lado. Não precisamos ter medo, no fim não estaremos sozinhos, Cristo estará ao nosso lado.
O que fazer diante de tanto fim? Tenho escutado: “A gente tem que acreditar em alguma coisa” ou “tudo isso tem que ter um fundo de verdade”. Já falei para várias pessoas que apregoam o fim no próximo ano: doem seu dinheiro à caridade. Existem muitas instituições que gostariam de receber esse dinheiro que no fim das contas vai se perder, “pois o mundo vai acabar”.
O quê você acredita eu não vou discutir. De qualquer jeito a gente se vê, dia 22 de dezembro de 2012, com Jesus...
Reflexão para a Revista Novo Olhar 10/10/2011

Lavando do jeito certo


Marido, ame a sua esposa, assim como Cristo amou a Igreja e deu a sua vida por ela.
Ele fez isso para dedicar a Igreja a Deus, lavando-a com água e purificando-a com a sua palavra.
Efésios 5.25-26

   Outro dia, fiquei pensando: Por que as pessoas ainda vem ao culto? Por que ainda hoje tem gente que escuta o chamado de Deus e quer fazer parte de uma Comunidade? Não é mais fácil viver sem Deus? Essas perguntas vieram à minha cabeça tentando entender àquela mãe que faz de tudo para que sua filha adolescente faça a confirmação ou a senhora maior que reclama com sua família que estão esquecendo-se de Deus. Faz tempo que eu não sento simplesmente no banco da igreja ou sou só mais um membro da comunidade. Ser pastor me faz até suspeito ao escrever estas linhas. Mas, ainda assim me arrisco.
   Tomando banho e pensando, lembrei-me de um amigo, que anos atrás, tinha o cabelo com dreadlocks no estilo rastafári. Daquele jeito que muita gente pensa ser errado ou descuidado. Ele me dizia que o cabelo representava o que ele sentia no espírito. O momento de sua vida era assim. Muita gente brincava com ele que ele tinha cabelo impermeável. Era verdade, não importava a quantidade de água que jogassem, o cabelo sempre ficava seco depois d’água ir embora. Um dia, ele contou-me um segredo, não adiantava ser só água, tinha que misturar com xampu. A mistura entrava no meio do cabelo, pegava e dissolvia a sujeira. Assim, o cabelo dele ficava muito limpo e bonito. Muito tempo depois, o espírito de meu amigo trocou e os dreadlocks sumiram.
   Em meio à vida agitada, muitas vezes as pessoas param, sentam-se nos bancos das igrejas e sentem que estão no meio de uma enxurrada. Ficam molhados dos pés à cabeça. Muitas palavras bonitas são ditas, melodias enchem o ambiente. Mas, ao terminar o culto, saem mais secos do que quando entraram. Não adiantou, como dizia minha mãe: “entrou por um ouvido e saiu pelo outro”. A pessoa não se deu conta que ali tinha um momento especial, um contato especial. Talvez, os problemas da vida e do dia a dia não a deixaram saber o que realmente estava acontecendo. Não era o momento certo.
   Mas, também, em meio à vida agitada, pessoas param, sentam-se nos bancos das igrejas e sentem que estão no cabeleireiro. O Evangelho vem junto com as palavras, a letra que acompanha às melodias fazem diferença, “mexem com a gente”. É o xampu divino atuando e purificando. A reunião de pessoas tem sentido. Não são mais palavras vazias, são palavras que me ajudam a entender o amor de Cristo por mim, por meus irmãos e irmãs na fé, por toda a criação. Deus usa instrumentos humanos para comunicar sua mensagem. Deus usa sua criação para que possamos sentir seu amor por nós.
   Por isso, ainda hoje, as pessoas brigam para ir à igreja e ser parte de uma comunidade. Ou estou enganado?
Meditação para o Portal do Sínodo Sudeste 01/08/2011

Jejum


O que é que eu quero que vocês façam nos dias de jejum? Será que desejo que passem fome, que se curvem como um bambu, que vistam roupa feita de pano grosseiro e se deitem em cima de cinzas? É isso o que vocês chamam de jejum? Acham que um dia de jejum assim me agrada? Não! Não é esse o jejum que eu quero. Eu quero que soltem aqueles que foram presos injustamente, que tirem de cima deles o peso que os faz sofrer, que ponham em liberdade os que estão sendo oprimidos, que acabem com todo tipo de escravidão. Isaías 58.5s.
   O jejum é um costume esquecido no geral da sociedade ocidental. Jejum não está na moda. Mas, existem pequenos grupos que em meio do consumismo acelerado pedem para rever os valores que isso traz. O jejum é uma prática comum a muitas religiões: judaísmo, islamismo, baha’i, hinduísmo, cristianismo. Vi com interesse outro dia uma reportagem com um muçulmano morando na Alemanha que indicava a grande dificuldade de poder fazer o jejum no mês de Ramadan, que estabelecia o jejum entre a saída e o pôr do sol. No meio de uma sociedade que se chama cristã, esse senhor não podia jejuar.
   A grande maioria de nós não conhece e pratica o jejum de forma sistemática. Na tradição luterana não é preciso jejuar, pois a obrigatoriedade foi vista como uma obra que procurava a salvação. Assim, pouco a pouco foi sendo deixado de lado. O jejum hoje é visto como coisa esquisita, e se for realizado é praticado geralmente de forma individual. Mas, cada vez mais se está procurando volver à prática do jejum. Existem exemplos na IECLB com Retiros de Jejum e Desintoxicação, onde as pessoas durante uma semana podem descansar, relaxar de suas atividades diárias, aliviar a carga de seu organismo e renovar a sua vida espiritual e psicológica. Tendo tempo para refletir e avaliar a vida e poder iniciar uma nova fase.
   Se bem é verdade que existem pessoas que jejuam eternamente, pois não tem alimentos para suprir suas necessidades mínimas de comida. Cada vez mais, existem pessoas com excesso de peso. O que aconteceria se nos começássemos a jejuar de tanto consumismo? Em nossa sociedade atual o jejum é um contra-valor, se a norma é o consumo, o contrário é considerado como um pecado e faz com que todas as pessoas sejam “prejudicadas” diante disso. Pois, a falta de compra de um bem de consumo faz com que as fábricas diminuam sua produção e as pessoas percam o emprego. Isso foi o que aconteceu nos Estados Unidos e na Europa com a recente crise econômica. Mas, é justamente o sinal de um sistema falido que não ajuda às pessoas a serem melhores e a viver realmente melhor, é a fantasia da bolha, que mais tarde ou mais cedo estourará.
   A criação precisa de um jejum para se recompor. Por exemplo, quantas árvores ficariam vivas e não virariam pastagem se as pessoas jejuassem de carne de vaca? Quantas espécies ficariam fora do perigo de extinção ao deixar de ser caçadas para satisfazer um desejo?
   Que aconteceria se os corruptos jejuarem? Se os usuários de drogas se abstivessem? Se os motoristas jejuassem de pisar fundo no acelerador? Como o mundo seria diferente!
   O jejum material é necessário para nós e o mundo, mas também o jejum espiritual que no fim das contas leva ao primeiro.
   Para terminar partilho com vocês um texto que me chamou a atenção:
Como podemos jejuar na Quaresma?
Jejue de julgar os outros e descubra Jesus que vive neles.
Jejue de palavras que ferem e farte-se de frases que purificam.
Jejue de descontentamentos e viva cheio de gratidão.
Jejue de ofensas e injúrias e farte-se de mansidão e paciência.
Jejue de pessimismo e encha-se de esperança e otimismo.
Jejue de lamúrias e queixas e satisfaça-se com as coisas simples da vida.
Jejue de pressões e farte-se de oração.
Jejue de tristeza e amargura e encha seu coração de alegria.
Jejue de egoísmos e encha-se de compaixão pelos outros.
Jejue de rancores e encha-se de atitudes de reconciliação.
Jejue de palavras e viva de silêncios para escutar a outros.
Jejue de pensamentos de fraqueza e encha-se de promessas que inspiram.
Jejue de tudo o que o afaste de Jesus e procure tudo o que dele lhe aproximar.
Se todos vivermos esse jejum, nossos dias se irão inundando de paz, de amor de confiança. Que os corações se abram com o jejum na Quaresma para receber o Jesus ressuscitado!
(Autor desconhecido)
Extraído do Proclamar Libertação 35, p. 126

Meditação para o Portal do Sínodo Sudeste 10/03/2011

Todos nós temos família


   Tem gente que em casa tem pai e mãe, irmãos e irmãs e até cachorro. Outros têm somente o pai ou a mãe em casa. Uns tem muitos irmãos 6, 7 ou até mais, outros não têm irmãos. Tem aquela vizinha que mora com a avó ou com a tia. A família continua a ser nossa, ainda que a gente reclame do irmão chato ou da irmã que demora no banheiro. Tem muitas famílias diferentes, mas na verdade todas são iguais, pois fazemos parte da grande família de Deus. Deus nos colocou para viver em família, pois assim podemos crescer melhor. Cada qual ajudando a melhorar o convívio, colaborando com compromisso para que a paz e o amor possam existir em nosso lar.

Oração: Bondoso Deus sempre pode agradecer-te porque cuidas de nós, obrigado porque tu és nossa mãe e nosso pai. Obrigado pela família que nos deste, ainda que reclame muitas vezes dela, sei que eles querem o melhor para mim. Peço que cuides e protejas a cada pessoa de nossa família, a que mora lá em casa e também a todos os que são parte da comunidade. Amém.

Trabalho manual
Conhecendo um pouco mais nossa família (árvore genealógica)
Numa folha de papel desenhar uma árvore grande com dois galhos principais que vão dividindo-se de dois em dois. Na base da árvore escrever nosso nome ou colar uma foto. Acima dela, colocar o pai e a mãe. Acima da mãe e do pai colocar as avós e os avôs. Continuar colocando o pai e mãe de cada pessoa até onde for possível. Para isto, perguntar às pessoas, além do nome, se sabe onde e quando nasceram, de que trabalhavam e se tinham algum dom especial.
Texto para a Agenda das Crianças Sínodo Sudeste 2011